O que está vivo em cada um de nós?
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Marshall Rosenberg, o criador da Comunicação Não Violenta
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Quando Marshall Rosenberg nos convida a reconhecer “o que está vivo em cada um de nós”, refere-se aos sentimentos e às necessidades presentes em cada momento: o que sentimos, aquilo de que precisamos e o que, na nossa vida, está a contribuir para o nosso bem-estar ou a dificultá-lo. Trata-se de prestar atenção à nossa experiência interior, dando nome à tristeza, à alegria ou à inquietação e reconhecendo necessidades como a segurança, a proximidade, a autonomia ou o descanso.
Por exemplo, quando digo “ninguém se importa comigo”, estou a interpretar o comportamento dos outros. Se procurar compreender o que está vivo em mim, posso encontrar uma expressão mais clara do que estou a viver: “Sinto-me triste, preciso de proximidade e gostava de ter alguém com quem conversar.” Esta consciência permite comunicar o sofrimento sem o transformar imediatamente numa acusação. Ao escutar o outro, posso procurar compreender os seus sentimentos e necessidades com a mesma atenção, perguntando em vez de presumir que sei o que lhe acontece.
É esta mudança de olhar que a citação propõe. Quando classificamos alguém como “bom” ou “mau”, “certo” ou “errado”, arriscamo-nos a reduzir uma pessoa à medida do nosso julgamento. Compreendê-la exige disponibilidade para conhecer a sua experiência, mantendo a capacidade de discordar, estabelecer limites e responsabilizar por comportamentos que magoam. Nesse reconhecimento mútuo, abre-se espaço para que o cuidado nasça da vontade de contribuir para o bem-estar de ambos.
A pergunta “quem tem razão?” pode, então, dar lugar a outra que nos aproxima: “O que estamos a viver e como podemos cuidar do que é importante para cada um?”

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