A fadiga das máscaras: quando já não sabemos quem respira por dentro
Há dias em que acordamos cansados sem termos verdadeiramente dormido. Não se trata apenas da fadiga do corpo, mas de uma erosão mais subtil, mais silenciosa: a fadiga de sustentar todas as versões de nós que fomos inventando para sermos aceites, tolerados ou simplesmente amados. Chamam-lhes máscaras (profissionais, sociais, familiares), mas raramente reconhecemos o seu peso acumulado. Habituámo-nos a elas como quem esquece que respira. Vivemos numa época paradoxal: somos convocados, permanentemente, a “ser nós mesmos”, e ao mesmo tempo pressionados a corresponder a múltiplas expectativas incompatíveis. Vivemos um profundo esgotamento contemporâneo: não já o cansaço de obedecer, mas o cansaço de ter de existir à altura de uma narrativa idealizada de nós próprios. Uma exaustão difusa, nascida do esforço contínuo de nos simularmos com coerência, autenticidade e sucesso. E, no entanto, poucas coisas são tão artificiais quanto essa autenticidade performativa. A Comunicação Não...

