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Quando o amor chega ao fim: quem deixou de habitar o “nós”?

  Quando o Nós deixa de habitar o Eu Há relações que acabam muito antes da separação. Continuam à mesa, nas fotografias e na mesma cama, mas perderam o lugar onde duas pessoas se reconheciam. Depois dos 50 anos, essa ausência pode trazer uma pergunta especialmente dolorosa: quantos anos da minha vida quero ainda viver sem me sentir amado? À noite, um dos dois aproxima-se no sofá. Não procura necessariamente uma conversa importante nem uma noite de paixão. Encosta uma perna, demora a mão num ombro, espera que o outro levante os olhos. O outro continua a percorrer o telemóvel. Nada disto, numa noite isolada, permite concluir que o amor acabou. Mas as noites repetem-se, o gesto torna-se mais breve e chega o dia em que a mão já não procura o ombro. A televisão continua ligada, as contas estão pagas, há comida no frigorífico. A vida funciona. O encontro é que deixou de acontecer. É difícil dizer quando desaparece o “nós”, porque raramente se despede de uma só vez. Pode começar a d...

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