Que amor construímos quando falta a verdade?
A verdade que nos liga Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. [Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa] Imaginemos esta conversa ao fim do dia. Uma pessoa descobre, por acaso, algo que a outra sabia há semanas e escolhera não partilhar. Quando lhe pergunta porquê, recebe uma resposta que a deixa ainda mais desamparada: “Porque sabia que ias ficar assim.” Além de ter sido mantida na ignorância, vê agora a sua dor usada para justificar a omissão. A conversa afasta-se do que aconteceu e passa a girar em torno da sua reação, como se o problema estivesse na mágoa de quem descobre e não na escolha de quem escondeu. É neste instante que importa perguntar onde reside a confiança, em que atos se reconhece, que linguagem a sustenta e que postura a torna possível. Dizer “podes confiar em mim” custa pouco enquanto nada põe à prova essa promessa. A exigência começa quando a verdade nos expõe, nos cont...