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«Fui honesta e sincera»: e o que ficou por ouvir?

  Quando a máscara é incapaz de escutar A plenitude do amor ao próximo consiste simplesmente em sermos capazes de lhe perguntar: “Qual é o teu tormento? " — Simone Weil, Attente de Dieu (1950) Imaginemos uma conversa que termina com alguém a dizer: “Fui honesta e sincera.” Do outro lado, uma pessoa fica sentada, sem saber o que fazer com aquilo que ouviu. Tinha começado a explicar o que a magoara. Ainda não chegara ao fim, mas a declaração encerrou o assunto: quem falou considera-se esclarecido; quem ficou ferido terá agora de resolver sozinho o incómodo de lhe doer. A frase, por si só, não prova falta de honestidade. Há quem precise de se defender de uma acusação injusta ou de esclarecer uma intenção que não conseguiu transmitir. O perigo começa quando a usamos para impedir que a conversa continue. Quando “fui sincera” passa a significar: já expliquei as minhas intenções, não tenho de ouvir o que sentiste. Nesse momento, a imagem que queremos preservar de nós próprios torna-...

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