Livro Comunicação Não-violenta e Resolução de Conflitos de Marshall Rosenberg

 

Livro Comunicação Não-Violenta - E Resolução de Conflitos
Contracapa

Quando ganhar uma discussão nos faz perder alguém

Há um silêncio que se instala depois de certas discussões e que facilmente confundimos com paz. Ninguém levanta a voz, os argumentos terminaram, cada um regressou ao seu lugar. Contudo, alguma coisa ficou ferida entre as pessoas. Vencer uma discussão pode deixar-nos estranhamente sós.

O livro Comunicação Não-Violenta e Resolução de Conflitos, de Marshall B. Rosenberg, publicado pela Alma dos Livros, convida-nos a olhar para esse espaço onde as palavras tanto podem aproximar como aprofundar distâncias. A proposta apresentada assenta na atenção aos sentimentos e às necessidades de ambas as partes, ligando a consciência de nós próprios à qualidade das relações que construímos.

Duas perguntas, destacadas na contracapa, ajudam a compreender esta orientação: "O que está vivo em nós?" e "O que podemos fazer para tornar a vida mais aprazível?". Levá-las a sério exige uma mudança de atenção. Durante um conflito, ocupamo-nos frequentemente a reunir provas contra o outro, como se a vida familiar, a escola ou o trabalho fossem pequenos tribunais onde nos coubesse sempre o papel de procurador. Interrogar o que sentimos e aquilo de que precisamos obriga-nos a sair desse lugar confortável.

É particularmente relevante a ligação que esta proposta estabelece entre comunicação e poder. Quando fomos habituados a obedecer, a procurar aprovação ou a recear o erro, podemos reproduzir essas relações nas nossas palavras. Um pedido transforma-se facilmente numa ordem disfarçada; uma discordância, numa suposta falta de respeito. A CNV convida a examinar estes hábitos e a construir condições para uma cooperação em que todos possam ser ouvidos.

Esta perspetiva merece, porém, uma leitura exigente. A escuta não garante, por si só, a resolução de todos os conflitos, sobretudo quando existem desigualdades de poder ou ausência de vontade de diálogo. Reconhecer necessidades deve acompanhar a definição de limites, a proteção de quem sofre e a responsabilização pelos atos. É essa exigência que dá consistência à empatia.

A proposta deste livro interessa a quem procura compreender o que acontece numa relação quando a conversa se torna confronto. E deixa-nos uma pergunta que vale a pena levar para a próxima discussão: depois de termos demonstrado que temos razão, que relação desejamos encontrar do outro lado?

José Paulo Santos

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