12 dezembro 2007

Especialização em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar


2ª Edição

A Universidade Lusófona do Porto acaba de lançar a 2ª Edição do Curso de Especialização em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar, coordenado pela Prof. Elisabete Pinto da Costa, Directora do Instituto de Mediação da ULP.

Data das Inscrições: até ao dia 1 de Fevereiro/2008.

Calendário do curso: 12 de Fevereiro a 13 de Março/2008.

Duração: 60 horas


Nº de participantes: 25


Cidadania e Segurança


A Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) publicou (6 Dezembro 2007), na sua página da Internet, o novo módulo curricular Cidadania e Segurança a aplicar, com carácter de obrigatoriedade, no 5.º ano de escolaridade.
Este novo módulo deve ser trabalhado em cinco aulas de 90 minutos, visando assegurar a todas as crianças, num determinado momento do seu percurso escolar, o contacto com as temáticas básicas da segurança e da não violência.

"Tendo como referência os direitos fundamentais e os recíprocos deveres que lhes são inerentes, o módulo encontra-se organizado em torno de três temas:
  • ”Viver com os outros”,
  • “As situações de conflito e a violência"
  • “Comportamentos específicos de segurança”.
Constituem objectivos do módulo:
  • promover a compreensão da importância do valor da relação com os outros e da construção de regras de convivência na escola e na sociedade;
  • aumentar a capacidade para a resolução de situações de conflito de forma não violenta;
  • promover competências para agir adequadamente face à agressão;
  • desenvolver a capacidade de identificação de comportamentos de risco e incentivar atitudes de prevenção;
  • desenvolver uma cultura de segurança e capacitar para a auto-protecção.

13 novembro 2007

O que é um BOM PROFESSOR?

Caros leitores,

há muito que não escrevo neste blogue, apesar das várias solicitações para tal. Para muitos de nós, este espaço veio criar momento de empatia, de bem-estar, não deixando para trás momentos de reflexão importantes para as nossas vidas...
Tenho imensos "textos escritos na minha mente" e desejaria encontrar o momento certo para os colocar neste lugar. São vivências, observações, sentimentos e necessidades que se vão acumulando e precisam de ser partilhadas.
Hoje, por imperiosa necessidade, gostaria de vos falar de um professor. São muitos os motivos que me impelem a falar dele, mas que não irei aqui explorar, tendo em conta que servirá apenas de leitmotiv para a questão que levanto no título: o que é um bom professor, afinal?

Já ouviram falar em Ron Clark, o famoso "America's Educator"? Talvez não... Tive o privilégio de assistir pessoalmente, em Londres, há poucas semanas, ao seu próprio relato como professor e não deixei de pensar em todo o meu percurso, em todos os meus alunos, em todas as relações que estabeleci pelas várias escolas por que passei...
Ora, o que faz dele um professor tão especial, único? Adorado por uns, polémico ou louco para outros, a verdade é que Ron deixa um rasto de energia, de alegria e entusiasmo, celebrando uma das mais belas profissões do mundo (se não a mais bela!).

Hoje, Ron, é o professor mais famoso dos Estados Unidos, depois de ter passado pela emissão da Oprah, possuindo a sua própria academia e publicações, nomeadamente, o best-seller "The Essential 55", e de ter sido realizado um filme sobre a sua vida, The Ron Clark Story (2006).



Por sentir que nas nossas escolas existe uma certa desmotivação, um desalento e alguma impavidez perante as várias medidas lançadas para o sistema educativo, dedico este momento a todos os bons professores que, na sua maravilhosa missão, vão semeando generosas pepitas de "ser", de "estar", de "saber"...

Enquanto acreditarmos nas nossas crianças, nos nossos jovens, tal como o Ron, cada um ao seu estilo, não devemos desistir, porque eles precisam de nós! Precisam do nosso respeito, de bons modelos, de boas referências, de bons princípios, de bons guias para crescerem e se tornarem cidadãos responsáveis, confiantes e optimistas, bem preparados para os desafios da convivência social, do trabalho, da vida...

Também, em Portugal, os professores precisam de reconhecimento, de valorização pelo trabalho que desenvolvem em prol da Educação. Cabe a nós a capacidade de demonstrar que o futuro de um país assenta na obra, na missão dos educadores e dos professores e das famílias. Um país que não acarinhe, que não respeite, que não dignifique o papel daqueles profissionais, e os co-responsáveis pais e encarregados de educação, está a hipotecar gerações...

Ao longo deste texto, tenho usado e abusado das várias formas do adjectivo "bom". O desafio que aqui deixo é:
SENTE-SE UM BOM PROFESSOR?
O QUE FAZ DE SI UM PROFESSOR?

Procure, conscientemente, identificar e enumerar
todas as qualidades que fazem de si um "bom professor"...
(se eu não me sentir um bom professor, como poderão os outros sentir que o sou?)

Já agora, bom trabalho, na escola... e em casa!

24 julho 2007

Encosta-te a mim...


Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim


Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim


Jorge Palma

Cada um de nós compõe a sua história...

Oiça atentamente esta magnífica interpretação da canção "Tocando em frente" pela jovem Gabriela Rocha.

"Cada um de nós compõe a sua história!
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz..."




08 julho 2007

Live Earth - uma mensagem!


A canção do concerto LIVE EARTH
First love yourself, then you can love someone else


Letra da canção Hey You, interpretada por Madonna:

05 julho 2007

O Outro Lado - Música e Poesia de Pedro Branco

É com enorme prazer e orgulho que partilho com os visitantes deste blogue e com os meus amigos este abraço ao amigo Pedro Branco.
Aos 40 anos, o Pedro Branco decidiu oferecer aos seus amigos um momento intimista, um momento de interioridade, de mergulho em nós próprios, através do seu canto, da sua poesia e de sons...
Saiba um pouco mais sobre este espectáculo aqui.

É também "Das Palavras Que Nos Unem", o blogue de Pedro Branco, que alimentamos a nossa alma, viajando através de sentimentos, emoções, desabafos, olhares e sensações.

Convido os amigos a lerem e a sentirem o gosto de se encontrarem n' O Outro Lado...

Um forte ABRAÇO amigo, Pedro!


Não preciso de mais nada hoje.


Tenho as tuas palavras.


Para colorir um milhão de vezes...


o que eu quiser!


Poema Nudez, de Pedro Branco, retirado
daqui


03 julho 2007

O Início de uma nova vida... O Segredo para si!

Já ouviu falar no Poder da Atracção?
Já pensou que há forças, energias no Universo que podem conjugar-se com a sua energia interior, os seus pensamentos? Já lhe aconteceu NÃO desejar algo e, de um momento para o outro, isso que NÃO queria acabou afinal por lhe acontecer?!

Agora, pense positivamente: pense no que REALMENTE quer ou deseja! Formule constantemente desejos positivos ao Universo; diga apenas aquilo que quer e NUNCA o que não quer...

Veja o filme The Secret e prepare-se para olhar a vida de outra forma, mais positiva, alcançando assim os seus maiores desejos! Experimente!

Dedico-lhe este breve filme para se inspirar... "I'm grateful to be me!"


Deseja saber mais?! Vá ao sítio do filme: The Secret

26 junho 2007

O teatro da violência

No Domingo, 24 de Junho passado, no canal M6 da televisão francesa, tive a oportunidade de assistir a uma emissão (66 Minutes) que me prendeu os sentidos: a formação de jovens professores estagiários sobre a vida na sala de aula, sobretudo, quando o conflito e a violência irrompem.
No próximo ano, estes professores inexperientes serão colocados em escolas, onde poderão enfrentar situações reais de confronto com alunos.
Inspirada na realidade, esta formação, dinamizada por um grupo de actores de teatro, propõe a dramatização de várias cenas de conflito, onde o professor não só deve saber gerir o normal desenvolvimento da aula, como situações imprevistas de agressão verbal ou física, levadas a cabo pelos alunos.
Com a ajuda destes actores e de um dinamizador, os jovens professores assistem a representações que vão desde a chegada de um aluno à sala, quando a aula já decorre, e que chama a si toda a atenção; até a uma situação extrema na qual o professor leva um murro de um aluno.
Numa segunda fase, os jovens estagiários passam a protagonizar a aula e devem mostrar como reagem, como resolvem o conflito, nesta ou naquela situação.
Através desta estratégia, é possível recriar as mais variadas situações de conflito e violência na sala de aula e na sala de professores, de modo a ajudar os professores a analisar, reflectir, debater sobre assuntos que, cada vez mais, marcam, infelizmente, a actualidade mediática.
Dado que o vídeo da referida emissão ainda não se encontra disponível, deixo abaixo uma peça de um telejornal do canal TF1, que ilustra perfeitamente a iniciativa.
Fica aqui também a página na Internet do grupo de teatro interactivo OXO, de Bordéus.


23 junho 2007

Da Guerra... à Paz

Como dialogar com o nosso marido, a nossa esposa, o nosso companheiro, quando rebenta o conflito?

As discussões aumentam, as acusações mútuas avolumam-se (" - tu é que..."; "- és sempre a mesma coisa!"; "- não me ouves..."; "- não me mandes calar!"...), os insultos explodem, os amuos tornam-se frequentes, apoderam-se de nós a raiva, o ódio, a insegurança, o medo...

Estes estados de espírito são comuns a muitos casais. Certamente nos revemos neste género de diálogos, nestes comportamentos e pensamentos agressivos e violentos. São os berros, os gritos ou, então, os silêncios igualmente devastadores e corrosivos.

Thomas D'Ansembourg, na sua conferência-espectáculo, registada em DVD, intitulado "Guerre et Paix Dans Le Couple", baseada na obra "Cessez d'Être Gentil, Soyez Vrai!" (traduzido para português pelas Edições Ésquilo como "Seja Verdadeiro"), propõe-nos assistir a cenas conjugais em palco. Com a cumplicidade e talento da atriz Dominique Lahaut, D'Ansembourg demonstra-nos como é possível passarmos de um estádio de conflito para um estádio de diálogo interno com os nossos sentimentos, as nossas necessidades, medos, frustrações, de modo a sermos capazes de ir ao encontro do outro, procurando entender as suas necessidades e sentimentos.

As ferramentas, os recursos existem em nós. Apenas precisamos de aprender a mobilizá-los neste clima de tensão e de conflito.

A Comunicação Não Violenta (CNV), esta "linguagem do coração", permite-nos descer ao fundo do nosso "poço", encontrar os "lençóis freáticos" das necessidades comuns a todo o ser humano para procurar compreender o outro e nós próprios.

Thomas D'Ansembourg

Thomas, qual é o factor principal da separação do casal?
Quando o casal não diz as coisas verdadeiras, já não vive e acaba apenas por "funcionar". Estamos na "logística": ir às compras, levar os miúdos aqui e ali, o trabalho, os afazeres domésticos, etc. As coisas verdadeiras são os valores partilhados e sobretudo a clareza do sentido do reencontro a dois. Isto pressupõe conhecimento e respeito de si próprio, o que exige muita escuta! E a escuta activa e verdadeira, para muitos de nós, pode aprender-se.
(Fonte recolhida e traduzida a partir deste endereço: http://www.info-ardenne.com/ardennes/node/661)

N’ayons pas peur de se connaître soi pour mieux apprendre à aimer l’autre…
Não tenhamos medo de nos conhecermos melhor
para aprender a amar o outro...




21 junho 2007

A Comunicacação Não Violenta na Prevenção de Conflitos na Escola

Comunicação apresentada no dia 21 de Junho de 2007, no Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, na Conferência Internacional Ofender e Ser Ofendido | Giving and Taking Offence, entre as 16.15 e as 18.30 horas


12 junho 2007

Participação na Conferência Ofender e Ser Ofendido

Abaixo, neste blogue, já tivemos a ocasião de disponibilizar o programa da Conferência Ofender e Ser Ofendido, para consulta dos interessados em participar nas sessões.

A pedido de várias pessoas, disponibilizo aqui a minha sinopse sobre a comunicação que me propus apresentar, no dia 21 de Junho, entre as 16.15 h e as 18.15h, na Universidade de Aveiro:


::SINOPSE::

A Comunicação Não-Violenta

na prevenção de conflitos nas escolas

Parece-nos importante distinguir o conceito de violência do de conflito. O Conflito, em si, não é violento. A forma de resolver o conflito é, ela sim, muitas vezes, violenta. A violência é uma consequência da rivalidade, da tensão, do desacordo entre as pessoas.

A escola é um espaço complexo, onde as relações interpessoais possuem um lugar fundamental, porque nele interagem professores, alunos, pessoal não docente, pais e encarregados de educação, entre outros elementos representantes da comunidade local. Por isso, tentaremos analisar a problemática do conflito e da pertinência da aplicação de técnicas de comunicação interpessoal neste sistema.

Tentaremos propor, também, pistas ou orientações possíveis para uma melhor convivência no seio da comunidade escolar.

Como pedagogos, sejamos pais, educadores ou professores, devemos esforçar-nos por favorecer a responsabilidade e não a disciplina, a solidariedade em vez da rivalidade, a empatia em detrimento da indiferença e do desprezo, a autonomia ao invés da submissão.

Nesta cultura da competição, onde uns mandam e outros obedecem, onde uns perdem e outros ganham, devemos eleger a partilha e a cooperação como forças capazes de mudar esta crescente tendência ameaçadora para as actuais gerações e as vindouras.

Com esforço e persistência, auxiliando-nos de métodos e técnicas de comunicação adequadas, tomaremos consciência da nossa forma de pensar e de agir e regularemos a nossa postura perante nós próprios e os outros.

Daremos especial atenção aos sentimentos e às necessidades das pessoas envolvidas na comunicação, à escuta activa, à empatia, à não-violência e à cultura da paz.

José Paulo Rodrigues dos Santos

mediadornaescola@gmail.com

Licenciatura em Português e Francês (Universidade de Aveiro)
Gestor de Projectos no Centro de Formação de Entre Paiva e Caima
Especialização em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar
Co-autor do blogue “CNV Comunicação Não-violenta”
http://comunicacaonaoviolenta.blogspot.com

30 maio 2007

"Não tenho tempo! Não tenho tempo!"


Quantas vezes ao longo da minha vida me defendi com esta frase?

No início deste blog, propus-me participar assiduamente na sua construção por me sentir fortemente motivada para, qual colibri, contribuir com a minha parte. Contudo, à semelhança de tantas outras situações, deixei "morrer" as ideias por falta tempo para as verbalizar.

Mais tempo passou, desde então, e descubro, agora, que este argumento deixou de fazer sentido quando tomei consciência de que ele era uma de entre muitas convicções limitadoras que habitam em mim há longos anos. Na verdade, deixei-me conduzir por estas falsa verdade e acreditei ser impossível dedicar tempo a mim própria, realizando aquilo que realmente me faz crescer e me dá prazer.

Hoje, interpelada de novo para participar neste blog, estranhamente não consegui proferir a resposta de sempre. E senti que só podia dizer "Sim!". A desculpa do tempo deixou de fazer sentido por ter consciencializado que as minhas crenças e convicções condicionam as minhas capacidades e comportamentos. Experiencio a reprogramação da minha mente para que os meus comportamentos me satisfaçam e me possa sentir feliz com o que sou e dou aos outros.
E a minha linguagem começa a mudar:" Eu consigo arranjar tempo para o que eu quero, porque eu mereço sentir-me bem! Porque é importante para mim!"

E tudo se resume ao seguinte:

Temos tempo para "conversas de surdos" em que um diz uma coisa e o outro interpreta outra. Temos tempo para nos queixar do que nos rodeia. Temos tempo para cumprir as inúmeras obrigações a que estamos sujeitos. Temos tempo para, mesmo de forma inconsciente, alimentar conflitos em defesa dos nossos interesses. Temos tempo para lamentarmos os infortúnios que nos vão acontecendo. E temos tempo para tantas outras coisas que nos oprimem, nos atrofiam, nos violentam...

Todos estes tempos somados resultariam em muito, muito tempo para nos libertarmos desta convicção e aprendermos a linguagem da não violência connosco e com os outros.

E teremos, assim, o tão desejado tempo para aprendermos, crescermos, partilharmos e sermos felizes...

Donos e senhores do nosso tempo!

25 maio 2007

Felicidade de Thomas D'Ansembourg


Se a Comunicação Não Violenta na gestão dos conflitos representa para si uma profunda descoberta e uma necessidade; se a busca permanente de um estádio de pacificação interior e com os outros é um dos seus lemas; se acredita que é possível abrir-se aos encantos do mundo; se acredita que é possível criar redes humanas sólidas, fortes e capazes de sonhar com um futuro mais feliz, comece a traçar, desde já, um novo caminho com o auxílio de técnicas e métodos que nos levam à compreensão de mecanismos psicológicos ou de desenvolvimento pessoal...

Hoje, para me ajudar um pouco mais a compreender quem sou, quem é o outro, o que faço, o que digo, o que penso e que sentimentos ou emoções me dominam ou me impedem de ser ainda mais feliz, partilho uma nova obra já traduzida para português de um autor que já aqui tinha referido: Thomas D'Ansembourg. O livro intitula-se Felicidade e tem como subtítulo "Consegui-la não é fácil, mas vale a pena!". É uma edição da Ésquilo e pode encomendá-la aqui.

Por falar nisso, já leu o livro Seja Verdadeiro, do mesmo autor?

18 maio 2007

Conferência Internacional Ofender e Ser Ofendido

GIVING AND TAKE OFFENCE
OFENDER E SER OFENDIDO
OFFENSER ET ÊTRE OFFENDU


“Ninguém vive sem empurrar e ser empurrado; temos sempre que acotovelar o nosso caminho pelo mundo, ofendendo e sendo ofendidos”
- Thomas Carlyle, “Sir Walter Scott”, in London and Westminster Review, 12 Novembro 1838


Acontecimentos recentes sugerem que vivemos num mundo cada vez mais susceptível: imagens do Profeta, de Cristo, de nós próprios, do Papa, do Primeiro Ministro Húngaro, as palavras e imagens de Mel Gibson, as opiniões de Borat, são exemplos disso. A ofensa pode ser administrada de forma propositada ou inadvertida, e pode igualmente ser apropriada de forma genuína ou estratégica. Quando é dada e recebida deliberadamente, é parte de um processo explícito de relações de poder; quando é tomada ou dada de forma inadvertida, é parte de mal-entendidos sociais ou culturais (ou relações de poder implícitas). Esta conferência está interessada em ambas as situações. Se o ultraje nasce do “saborear da impotência da qual ser nomeado é o indicador” (J.M. Coetzee) onde podemos ir num mundo onde não há como escapar à nomeação por parte de outros?

Dizem-nos que vivemos num mundo de comunicação global, no entanto as ferramentas de comunicação, tanto as tecnológicas como as linguísticas, estão distribuídas e são dominadas de forma desigual. Falta-nos conhecimento apropriado uns dos outros, quer enquanto indivíduos quer enquanto membros de comunidades nacionais, culturais e linguísticas diferentes, e por isso operamos em contextos desiguais e opacos. As falhas, quando ocorrem, podem facilmente assumir um carácter excessivamente emocional, e este é particularmente o caso quando há um historial de mal-entendidos ou de desentendimento.

Esta conferência procura comunicações que examinem os mecanismos e as consequências de ofender e ser ofendido em processos culturais de todos os tipos, especialmente quando ocorrem entre nações, culturas, etnicidades, gerações e entre os sexos: desde os assuntos que fazem a actualidade até à arte, desde a bioética à linguagem e à pragmática, desde a literatura das políticas corporais à música popular.

Programa da Conferência

Thursday, 21st June 2007

8.30-9.15h : Reception, Building II (Department of Languages, UA)

9.15-30h : Opening Session (Sala A – 2.1.10)

9.30-10.30h : 1st Plenary Session (Sala A)

Chair/Moderador: Anthony Barker

Dr. David Lavery (Brunel University, UK):

Holy Fucking Shit! Profanation, Parody and Bleeping American Unreality in The Onion, The Daily Show, and The Colbert Report.”

10.30-11.00 : Coffee Interval

11.00-12.30h : 1st Group Session

Section 1: (Sala A )

Chair/Moderador: Margaret Gomes

Gillian Moreira – “When Icebergs melt… A Look at European Identity Today”

Tim Oswald - “Offending the Offender? – Intercultural competence in virtual tourist literature.”

Joana Ribeiro - “A puzzle of identities: cultural misunderstandings in tourism”


Section 2: (Sala B -2.0.3) )

Chair/Moderador: Maria Hermínia Amado Laurel

Maria Manuel Baptista – “‘Não há fumo sem…caluniador!’ Calúnia, Suposição e Rumor - da psicologia social à reflexão ética.”

António José Miranda – “A ‘coreografia’ da ‘ofensa’ – o discurso político”

Luís Machado de Abreu - “A lógica ofensiva nas práticas anticlericais”

12.30 -14.00h : Lunch

14.00-15.45h : 2nd Group Session

Section 1: (Sala A )

Chair/Moderador: Georgina Hodge

Jim O’Driscoll - “What’s in an FTA? Reflections on a chance meeting with Claudine”

Philip Zitowitz - “Social Distance and Alienation in "La Haine": A Cross-Cultural Approach”

Margaret Gomes – “Torn Between Two Cultures: Labelling and offending”

Raquel Marques - "Offensive Representations of the Japanese in Recent Hollywood Film"

Section 2: (Sala B)

Chair/Moderador: Susan Howcroft

Tian bo Li – “How not to give Offence in the Chinese Marketplace.”

Derek Bousfield – “Beginnings, Middles and Ends: A biopsy of the dynamics of impolite exchanges”

Danuta Gabrys-Barker – “‘White people in fur coats’ versus ‘dark-haired and exotic’: a Polish-Portuguese study of offence and flattery”

15.45-16.15h : Coffee Interval

16.15-18.15h : 3rd Group Session

Section 1 (Sala A )

Chair/Moderador: Maria Manuel Baptista

Maria do Socorro Pessoa – “Rondônia, Portal da Amazônia, Terra de Migrantes– O Preconceito Lingüístico como instrumento para OFENDER e ser OFENDIDO”

José Paulo Santos - "A Comunicação Não-violenta na Prevenção de Conflitos na Escola"

Corina da Rocha Soares -“As ofensas de Michel Houellebecq : mecanismos e agentes”

Maria Hermínia Amado Laurel - "Peço desculpa...estava a escrever... queria incomodar...Dá-me licença?"

Section 2: (Sala B )

Chair/Moderador: David Callahan

Lesley Jeffries -“The rise of 'Radicalisation': constructing meaning in the press”

Paulo Oliveira and Anthony Barker – “The ‘Borat’ Phenomenon: Who Edits Wins.”

Nik Hurst – “Little Britain on the offensive: what lies at the boundary of taste in contemporary British televised comedy.”

Maria Sofia Biscaia and Tim Wallis – “Sharing the offence: from paedophilic to murderous pleasures in Hard Candy” –

20.00 h : Conference Dinner, Aveiro

Friday, 22nd June 2007

9.00-10.30h : 4th Group Session (Room B )

Chair/Moderador : Tim Wallis

Susan Howcroft – “Seeing Offence, Hearing Offence, Translating Offence.”

Aline Ferreira - "Giving Offence: Virgin Marys in Art"

Georgina Hodge - “Immigrant or Citizen? That is the Question”

10.45 – 12.15h 5th Group Session (Room B)

Chair/Moderador: Anthony Barker

R. Scott Fraser – “For no other offence than proximity: David Hare’s Stuff Happens.”

Andreia Sarabando – “What’s so offensive about Stanley Kubrick’s A Clockwork Orange? (Besides violence, sexual explicitness, misogyny…)”

David Callahan – “Truth, Justice and the Internet Way: On-Line Hate Sites”

12.15 – 13.15h : 2nd Plenary Session,

Chair/Moderador: António Jose Miranda

Dr. Francisco Teixeira da Mota (Advogado e colunista para O Público) –

"A palavra e o crime. " (Sala da Reitoria)

13.15-14.30h : Lunch

14.30-16.30h : 6th Group Session

Chair/Moderador : Luís Machado de Abreu

Section 1 (Room B )

André Matias – “Pascoaes e Sérgio ou “o rouxinol e o peixe” – polémicas e tensões ensaístas na Águia”

Maria Helena B. Vasconcelos – “Ofensores e ofendidos: consequências dos excessos humanos no Hipólito de Eurípides"

Raquel Teixeira da Rocha Filipe – “Com um eu esbravejo, em outros mango: Bocage e os sócios da Nova Arcádia”

Luísa Marinho Antunes - “Perdidos na Tradução: Encontros e Desencontros do Europeu no Oriente nos Contos de Ernesto Leal”

Section 2 (Room A)

Chair/Moderador: Gillian Grace Moreira

Carole Gerster - "Combustive Conflict and Collateral Conversations about Race and Ethnicity in U.S. Media"

Anthony Barker “Duels and Duellists: Taking Offence to the Grave”

Jim O’Driscoll - “A storm in a wheelie-bin: A micro case study of giving and taking offence in the public arena”

Reinaldo Silva - “The Rhetoric of Exclusion: The Portuguese Reaction to Donald R. Taft’s Two Portuguese Communities in New England

16.30-17.0 0h : Coffee Interval

17.00-18.00h: 3rd Plenary Session (Sala A)

Chair/Moderador: Dr David Callahan

Dr. Stuart Price (De Montfort University, Leicester, UK) –

Yo Blair! Tales of Outrage and National Subservience”

18-18.30h : Closing Panel Session


Organising Committee

Prof. Dr. Anthony Barker

Prof. Dr. David Callahan

Profª Drª Gillian Grace Moreira

Sponsors

Centro de Investigação do DLC (CLC/UA)

Departamento de Línguas e Culturas, Universidade de Aveiro

Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT)

The British Council

___________________

Contactos

Deptº de Línguas e Culturas,
Universidade de Aveiro,
3810-193 Aveiro

ou através de anexo de e-mail para
Email: abarker@dlc.ua.pt
sec@dlc.ua.pt

Fax Depº: 234370940
Tel Depº: 234370358

25 abril 2007

PRIMAVERA

"Está alta no céu a lua e é Primavera.
Penso em ti e dentro de mim estou completo.

Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro teu nome; não sou eu: sou feliz.

Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelos campos,
E eu andarei contigo pelos campos a ver-te colher flores.

Eu já te vejo àmanhã a colher flores comigo pelos campos,
Mas, quando vieres àmanhã e vieres comigo realmente a colher flores,

Isso será uma alegria e uma novidade para mim.

(Alberto Caeiro)

Vem este poema a propósito da Festa da Primavera promovida pelo "Espaço RUAH", e que será já no próximo fim-de-semana. Vamos para a montanha celebrar a VIDA. Esta vida que desponta, como uma rebentação da Mãe-Terra, em toda a sua exuberância. Vamos espreitar os poetas, e os costumes dos povos primitivos e vamos colocar-nos em sintonia com eles para viver este tempo privilegiado em que tudo apela à renovação - exterior e interior. Vamos cobrir-nos de flores, vamos invocar os elementos da Natureza e vamos sentir a nossa fragilidade-grandeza de criaturas que vivem com os pés bem enraizados na terra mas projectadas no Cosmo... como as árvores, bebendo a mesma energia que as alimenta e sentindo-nos profundaménte em comunhão com elas. E com todos os seres criados.
Quem não conseguir acompanhar-nos à montanha, abra a janela maior da sua casa e deixe entrar o ar em grandes lufadas. Respire a plenos pulmões e sinta o perfume das flores, ouça o chilrear dos pássaros, olhe para as andorinhas atarefadas a fazer os seus ninhos e sinta-se em comunhão. Contemple o céu azul e deixe entrar em si a luz. E que ela limpe todas as toxinas que um longo inverno - o real e talvez outro, o de dentro - deixaram em si.

16 abril 2007

CRENÇAS

Há já algum tempo que não intervenho neste Blog, embora o tenha visitado. Ainda bem que ele continua activo. Tenho, por assim dizer, um dever moral em ajudar a revitalizá-lo, já que tive alguma responsabilidade, embora indirecta, na sua criação.
Ontem, ao ler Anthony Robbins, no seu livro "o PODER Sem Limites" pensei em professores e alunos. Falava este autor das crenças e do seu poder na nossa vida. Diz ele a certa altura, citando Stuart Mill: "A crença de uma pessoa é igual à força de noventa e nove que só tenham interesses". E continua: "É precisamente por isso que as crenças abrem as portas do sucesso". Mais adiante, continua Anthony Robbins: "Por vezes, para ter sucesso, não é necessário ter uma crença ou atitude extraordinária àcerca de algo. Por vezes as pessoas produzem resultados espantosos apenas porque não sabem que algo é difícil ou impossível. Por vezes, não ter uma crença limitadora é suficiente. Como exemplo, segue a história de um rapaz que adormeceu durante a aula de matemática. Acordou com o toque da campainha, olhou para o quadro e copiou os dois problemas que estavam lá. Presumiu que era o trabalho de casa para essa noite. Foi para casa e trabalhou nos problemas durante todo o dia e toda a noite. Não conseguiu resolver nenhum deles, mas continuou a tentar durante o resto da semana. Por fim, conseguiu a solução de um dos problemas e trouxe-a para a aula. O professor ficou absolutamente siderado. Afinal, o problema que ele tinha resolvido era supostamente irresolúvel. Se o estudante soubesse isso, provavelmente não o teria resolvido. Mas ele não disse a si próprio que não podia ser feito - na realidade até aconteceu o oposto: ele pensava que tinha de resolver o problema e foi capaz de encontrar uma forma de o fazer".
(ROBBINS, Anthony, em "o PODER Sem Limites", ed. Pergaminho, pgs.69-82)

21 março 2007

17 março 2007

Muda de vida...

Muda de Vida

Humanos

Composição: António Variações

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver


Muda de vida, se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se a vida em ti latejar



Muda de vida - Hum...

Primavera...

02. Primavera.mp3

17 janeiro 2007

Kyrie eleison

Por mais que me esforce, não consigo acreditar que a terra o cobriu para sempre...

Guardo na memória as nossas conversas, o respeito e a admiração mútuos, o companheirismo e a amizade. Obrigado, amigo!

Hoje, não fui despedir-me pessoalmente de si...

Não suporto despedir-me definitivamente dos amigos . Dói muito, muito mesmo.

Adeus, Senhor Vicente Magalhães!

02 janeiro 2007

TODOS PRECISAMOS DE AMOR

No início de mais um ano e de um novo período lectivo, apeteceu-me colocar aqui algumas reflexões sobre a nossa necessidade mais vital: amar e sentir-nos amados. É tão vital que, segundo alguns autores, a falta de amor e das suas manifestações concretas, leva ao definhamento e mesmo à morte. Transcrevo de Isabelle Filiozat:
"Os homens são seres que vivem em relação. Alimentam-se tanto de carícias e de atenções como de pão. Privados de comunicação, sofrem. Aliás, o isolamento é a punição preferencial destinada aos prisioneiros rebeldes e também é utilizada como instrumento de tortura.
Há alguns decénios, o psicólogo suiço René Spitz observou bébés hospitalizados. Eram tratados, lavados e alimentados, recebiam todos os cuidados necessários e, no entanto, morriam. Os recém-nascidos começavam por gritar, chamar, depois calavam-se, já não gritavam, já não chamavam; tinham compreendido que era inútil. Encolhiam-se e refugiavam-se no seu interior. Deixavam de se alimentar e, sem fazerem barulho, deixavam-se morrer docemente. Spitz chamou a este síndroma "hospitalismo". Ninguém lhes sorria nem lhes falava, não eram importantes para ninguém, para quê viver? A partir destes trabalhos, o pessoal de saúde foi sensibilizado para esta questão, os mimos foram considerados como parte integrante dos cuidados e um dos pais pode ficar com o bébé na maior parte dos serviços pediátricos. Actualmente já só verificamos o "hospitalismo" nos orfanatos dos países pobres, totalitários ou em guerra, em que a urgência parece não ser a afectiva. Digo bem "parece"porque as crianças lá morrem tanto por falta de reconhecimento e de afecto como de fome ou de doença".
(FILIOZAT, Isabelle, em A Inteligência do Coração)."
Nas nossas sociedades ocidentais, de formação privilegiadamente intelectual, tem-se dado pouca importância às manifestaçãos exteriores de amor e afecto, às carícias. É tempo de irmos percebendo que elas "são tão importantes como o pão". E isso em todos os sectores onde se vai desenrolando a nossa vida: família, hospitais, escolas, trabalho...E é bom estarmos conscientes que não são apenas as crianças que precisam. Precisamos sempre, sempre, sempre...A Análise Transaccional (AT), uma psicopedagogia do crescimento fundada por Éric Berne, dá tanta importância a estas ´"carícias" que lhes dedica todo um capítulo e muitas horas de trabalho.