25 setembro 2017

A tua meteorologia interior...

Pensemos nas nossas palavras como o vento. Se são agressivas, violentas, tornam-se tempestades, tufões gélidos e devastadores nos mundos das pessoas que te rodeiam.
Se forem serenas, tranquilas, serão brisas suaves, orvalho pacífico, toques de Alma. Escolhe a tua meteorologia interior.
— José Paulo Santos

30 janeiro 2017

Se a Paz Fosse Coca-Cola…


A famosa bebida refrescante, criada nos Estados Unidos da América, celebra 130 anos. A Coca-Cola é vendida em mais de 200 países e são consumidas cerca de 1,9 mil milhões de garrafas por dia. A empesa Coca-Cola Company, através de fortes campanhas de marketing, alcançou o mundo inteiro.
A título de curiosidade, o primeiro slogan criado para a Coca-Cola, em Portugal, em 1929, foi criado por Fernando Pessoa: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se.” Por razões políticas, na época, o slogan acabou por não passar do papel e só depois do 25 de Abril, em Julho de 1977, é que a bebida entrou no nosso país.

Serve-me este exemplo para desenvolver um assunto preocupante que, gradualmente, vai aumentando um pouco por todo o mundo: a violência, o medo, o terror.

De um momento para o outro, quer por via dos meios de comunicação social, quer pelas redes sociais, somos invadidos por grotescas imagens de violência, por frases de vingança de políticos, de comentadores e dos mais diversos indivíduos. Esta espiral que inicia em focos muito precisos, acaba por expandir-se e alastrar-se, tornando-se, cada vez mais, um problema para 7 mil milhões de habitantes. Um problema para o mundo inteiro.

E este vocabulário violento, estas imagens de terror, vão-se infiltrando nas nossas mentes e nos nossos corações, fazendo emergir o pior de cada um de nós: o desejo de vingança. Amaldiçoa-se, insulta-se, injuria-se!

E é preciso parar! É preciso sentir a nossa essência e tomar consciência da nossa própria natureza. Somos pessoas más? Somos vingativos? Somos incapazes de manter a nossa paz e serenidade perante o mundo? Cultivamos a paz ou a guerra em nós?

Há uma lenda que aprecio particularmente e que nos pode fornecer uma mensagem importante para as nossas vidas:
Um monge e os seus discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião a ser arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e apanhou o animal. Quando o trazia para fora do rio o escorpião picou-o na mão. Devido à dor, o monge deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem, pegou num ramo de árvore, voltou outra vez a correr pela margem, entrou no rio, resgatou o escorpião e salvou-o. Em seguida, juntou-se aos seus discípulos na estrada. Eles tinham assistido à cena e receberam-no perplexos e penalizados.
— Mestre, o Senhor deve estar muito doente! Por que foi salvar esse bicho mau e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda: picou a mão que o salvava! Ele não merecia a sua compaixão!
O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu:
— Ele agiu conforme a sua natureza e eu de acordo com a minha.
Os julgamentos, os juízos de valor, ou crenças dos outros não podem afetar-nos. Devemos agir de acordo com o melhor que existe em nós. Eu escolho a paz. Eu escolho o melhor de mim! É a minha natureza.

Julgo que precisamos de criar uma forte campanha de marketing para a Paz. Necessitamos de levar uma bebida refrescante e revigorante a todo o mundo. Precisamos de enviar uma mensagem de esperança a cada ser humano; uma mensagem para saciar a sede de viver em paz. Queremos uma Coca-Cola da Paz. “Primeiro estranha-se, depois entranha-se!


© José Paulo Santos
Artigo de Opinião Publicado
em Jornal A Voz de Cambra

Em Tempos de Ódio é Bom Andar Amado



“Nesses tempos de ódio, é bom andar amado” — não sendo minha frase e nem conhecendo o seu autor, reproduzo-a, pelo jogo de palavras usado entre “amado” e “armado” e por nos remeter para o equilíbrio: o ódio combate-se com amor.

Em primeiro lugar, é preciso identificar o ódio. Como se revela? Onde se situa? Como reagir a ele? Com certeza, a nossa tendência imediata é identificá-lo fora de nós. É o outro. São os outros. Eles é que são violentos, eles é que mostram cólera e ódio e maldade. Esses sentimentos, na verdade, todos nós já os experimentámos em algum momento da nossa vida. Uma emoção que não conseguimos conter, que nos domina e que se exprime por palavras, gestos, atitudes, alterações das expressões do rosto, dos olhos, de todo o nosso corpo. A nossa voz, o tom que empregamos é feroz, é agressivo, violento.

Ora, perante um cenário destes, onde toda a nossa energia negativa, violenta, brutal e cruel se manifesta diante do outro, como reage ele? Tem duas opções: a mais comum é preparar-se para retaliar, defendendo-se com as mesmas armas. Usa automaticamente as mesmas atitudes, as mesmas expressões, as mesmas palavras carregadas de violência e ódio. Ou, então, opta pelo silêncio, pela aceitação, por uma atitude de serenidade contrastante. Escuta atentamente o que o outro tenta exprimir. Usa a empatia e aproveita esse momento de conflito para evoluir.

Neste momento, o meu leitor deverá estar a pensar. “Olha, este está armado em Gandhi, em Luther King, Mandela ou Madre Teresa…”. Já me habituei, na verdade, a ouvir tais categorizações. Aliás, essa já é uma atitude de conflito, de provocação, de ironia, que me leva a procurar saber mais sobre o que leva uma pessoa a olhar-me desse modo. Uso a empatia. A escuta. Medo? Insegurança? Incapacidade de ainda acreditar? Também o outro pode evoluir, se for detentor de ferramentas, de processos e técnicas de comunicação que lhe permitam, também a ele, alterar a sua capacidade de observar, de reconhecer os seus próprios sentimentos e as suas necessidades.

Andamos programados. Ao longo da vida, desde o primórdio dos tempos, adquirimos o infeliz hábito de reagir ao conflito com a violência, nas suas múltiplas manifestações e expressões, física e psicológicas. Desde tenra idade, somos rodeados de tais energias tão negativas, seja na família, no casal, na tribo, na política, na religião, na televisão, nos jogos, no cinema ou até na escola. E vai-se perpetuando, porque ninguém nos ensina a fazer de modo diferente. Ninguém nos mostra no dia-a-dia que é possível “desprogramar” este código que até já parece genético, que nos faz crer que vem no nosso ADN, como se fosse uma maldição, um estado natural na vida.

É preciso que todos nós tenhamos essa consciência na nossa incrível força individual de ser um poderoso motor de mudança, no sentido de criar uma nova consciência comum. É possível criar um novo continente, o da relação. A relação comigo e com o outro, em paz, onde cuidamos da nossa higiene da consciência, dos nossos pensamentos e de actos saudáveis, com amor. É possível sim…

Eu ando prevenido: ando amado, em tempos de ódio. E tu?


José Paulo Santos
Artigo de Opinião publicado 
em Jornal A Voz de Cambra
10 de Maio de 2016

21 janeiro 2017

Carta Para o Mundo


A Paz aprende-se. Não estamos a falar do estado pacífico como oposição à guerra. Falamos da serenidade, da tranquilidade interiores de cada indivíduo. Da bondade. Falamos da profunda simpatia pelo que o outro vive ou vivencia na consciência de uma humanidade comum e partilhada, o que inclui a bondade face a si próprio.

Ora, a compaixão é uma virtude central em todas as religiões, quer seja o budismo, o hinduísmo, o taoismo, o confucionismo, o judaismo, o cristianismo ou ainda o islamismo. Todas as tradições religiosas se baseiam na Regra de Ouro: "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti". Esta deve ser a doutrina central de todas as religiões a ser restaurada!

Baseada nesta regra fundamental, a britânica Karen Armstrong, após a sua participação numa conferência TED, em 2008, iniciou um breve documento com apenas 300 palavras, com contributos de pensadores, líderes religiosos de todo o mundo, além da participação de mais de 160 mil pessoas.

Lançada em 2009, a Carta foi traduzida em mais de 30 línguas e já foi assinada por mais de 3 milhões de signatários.

Esta é a Carta que transcende as diferenças religiosas, ideológicas e nacionais para se tornar num instrumento de mobilização global:

CARTA DA COMPAIXÃO

O princípio da compaixão é o cerne de todas as tradições religiosas, éticas e espirituais, nos conclamando sempre a tratar todos os outros da mesma maneira como gostaríamos de ser tratados. A compaixão impele-nos a trabalhar incessantemente com o intuito de aliviarmos o sofrimento do nosso próximo, o que inclui todas as criaturas, de nos destronarmos do centro do nosso mundo e, no lugar, colocar os outros, e de honrarmos a santidade inviolável de todo ser humano, tratando todas as pessoas, sem exceção, com absoluta justiça, equidade e respeito.
É necessário também, tanto na vida pública como na vida privada, nos abstermos, de forma consistente e empática, de infligir dor. Agir ou falar de maneira violenta devido a maldade, chauvinismo ou interesse próprio a fim de depauperar, explorar ou negar direitos básicos a alguém e incitar o ódio ao denegrir os outros - mesmo os nossos inimigos - é uma negação da nossa humanidade em comum. Reconhecemos que falhamos na tentativa de viver de forma compassiva e que alguns de nós até mesmo aumentaram a soma da miséria humana em nome da religião.
Portanto, conclamamos todos os homens e mulheres a restaurar a compaixão ao centro da moralidade e da religião, a retornar ao antigo princípio de que é ilegítima qualquer interpretação das escrituras que gere ódio, violência ou desprezo, garantir que os jovens recebam informações exatas e respeitosas a respeito de outras tradições, religiões e culturas, incentivar uma apreciação positiva da diversidade religiosa e cultural, cultivar uma empatia bem-informada pelo sofrimento de todos os seres humanos - mesmo daqueles considerados inimigos.
É urgente que façamos da compaixão uma força clara, luminosa e dinâmica no nosso mundo polarizado. Com raízes em uma determinação de princípios de transcender o egoísmo, a compaixão pode quebrar barreiras políticas, dogmáticas, ideológicas e religiosas. Nascida da nossa profunda interdependência, a compaixão é essencial para os relacionamentos humanos e para uma humanidade realizada. É o caminho para a iluminação e é indispensável para a criação de uma economia justa e de uma comunidade global pacífica. 
Conheça mais aqui, em charterforcompassion.org



07 julho 2016

Aprender o Idioma da Não Violência

Texto publicado no jornal regional A Voz de Cambra.

"Sem querer entrar em campos intimistas ou em exposições autobiográficas, porque não é este o objectivo fundamental deste artigo, apenas desejo refletir e partilhar um pouco a minha visão e os meus sentimentos sobre a descoberta que fiz, há cerca de 10 anos, sobre a Comunicação Não Violenta (CNV) e as técnicas ou método a ela subjacentes.

Graças a Thomas D'Ansembourg e a Marshall Rosenberg, apercebo-me quanto ainda tenho de aprender sobre a Comunicação, tanto no seu sentido lato como nesta particularidade: a comunicação como meio de abertura e de empatia!
Este novo olhar sobre o mundo que nos rodeia, a vida, o outro, desenvolveu em mim uma diferente capacidade autocrítica até hoje desconhecida. Nos vários papéis que desempenho no quotidiano, encontro a aplicabilidade prática desta nova forma de comunicar, de me relacionar com o outro e até comigo próprio.

Percorrendo as várias páginas dos livros daqueles autores, extraimos um potencial imenso de transformação positiva e de algo novo para as nossas relações pessoais, familiares, profissionais.
Enquanto professor, apercebo-me do benefícios significativos que posso adquirir para mim e oferecer aos alunos e aos meus colegas nas escolas, ou em ambientes empresariais por onde vou passando. Estas potentes ferramentas mentais, aplicadas pela fala e pelas ações, ajudam-me a compreender a raiva, o conflito, e auxiliam-me na sua resolução, melhorando as relações com mais empatia!

Embora muito simples nos seus princípios, o processo em quatro fases da CNV é extremamente poderoso para melhorar radicalmente e para tornar verdadeiramente autênticas as nossas relações com os outros, e connosco próprios. É-nos proposto um caminho de liberdade, de coerência e de lucidez! Como não acredito na punição ou no castigo como meio de melhorar a nossa relação com o outro, prefiro percorrer novos caminhos.

Muitas vezes, perante um conflito, as pessoas tentam comunicar, persistindo na atitude ou no tom de acusação, de raiva, de intimidação, culpabilização e de desresponsabilização.
O tom exalta-se e as palavras soltam-se com uma facilidade terrível! Este comportamento impulsivo vive e está latente em nós. Temos muita dificuldade em coabitar com o conflito e reagimos inconscientemente.

"Si je réprime ce qu'il faudrait que j'exprime, je déprime!" Esta belíssima frase proferida por Thomas D’Ansembourg retrata, de facto, o perigo da contenção dos nossos sentimentos e necessidades: "se reprimir o que deveria exprimir, deprimo". Porém, se exprimo os meus sentimentos e necessidades da pior forma, também corro o risco de magoar e de sofrer.

É fundamental encontrarmos, então, o espaço de reencontro connosco próprios, antes de dizer umas "boas verdades" ao(à) nosso(a) companheiro ou companheira. Precisamos de mergulhar nos "lençóis freáticos" das nossas necessidades e dos nossos sentimentos, identificá-los e exprimi-los correctamente, com um vocabulário claro e bem explícito.

Ainda temos muito para aprender! É difícil aprender um novo idioma, a "língua dos sentimentos e das necessidades"? É, sim, mas vale mesmo a pena…

Tem-se falado e recomendado muito a necessidade de aprendermos várias línguas para podermos viajar e contactar com novas culturas. A verdade é que há um outro idioma que devemos acrescentar às nossas vidas: a língua da não violência. Com ela, ficamos munidos das melhores ferramentas para podermos coabitar com os outros, aceitando as suas culturas, os seus costumes e diferenças. Só assim saberemos construir um novo continente: o da Paz."

— José Paulo Santos

http://www.imprensaregional.com.pt/avozdecambra
Segunda de Maio / Primeira de Junho 2016 | A Voz de Cambra

04 julho 2016

Ninguém Nasce Racista

Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido 
à cor da sua pele, ao seu passado ou religião. 
As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, 
também podem ser ensinadas a amar, 
porque o amor é mais natural no coração humano 
do que o seu oposto.
— Nelson Mandela —


Saiba como pode contribuir para uma infância sem racismo.

03 maio 2016

BIG DREAM - um sonho em construção

http://www.kisskissbankbank.com/en/projects/bigdream

http://www.kisskissbankbank.com/en/projects/bigdream
Há uns 10 anos, algo surpreendente entrou na minha vida. A minha busca da necessidade de me conhecer e de me relacionar comigo e com o outro parecia ter sido alcançada. Um livro. Um simples livro veio preencher a minha curiosidade e dar respostas a tantas interrogações que, ao longo da vida, me ia colocando. Li-o, reli-o, resumi-o, e ia aplicando no meu quotidiano o que ali bebi. Partilhei-o e ousei orientar workshops, baseados no tema: Comunicação Não Violenta. Ao longo de anos, fui aprofundando, fui procurando outras fontes, novos livros, novos relatos. Contactei com pessoas que, também elas, inspiradas neste método e processo de comunicação, vão construindo as suas vidas em torno da paz, da empatia, da melhoria da sua capacidade de se relacionarem umas com as outras e com elas próprias.
E eis que, hoje, um sonho poderá tornar-se real: o Big Dream. Prepara-se um documentário que poderá ser revolucionário! Mostrará que é possível um mundo mais humano, mais pacífico, onde as pessoas podem viver em harmonia. Um sonho em construção, possível e real!
Mas, para se concretizar, o projeto precisa de apoio, precisa de donativos. Já ultrapassou os 120.000 Euros, mas precisa de mais financiamento. O Projeto BIG DREAM está todo descrito nesta página.
Contribua com um donativo!

31 outubro 2011

A inteligência apenas vale ao serviço do amor


Um estudo publicado na revista Nature, levado a cabo pelo canadiano Steven Pinker, indica que "nos últimos 500 anos, a violência diminuiu e a humanidade está mais inteligente; que as guerras e os ataques terroristas da nossa era não superam os vestígios de morte e barbaridade dos séculos anteriores." (Cf. Boas Notícias, 31.10.2011)

Saint-Exupéry sintetiza, maravilhosamente, a utilidade desta faculdade humana:

"A inteligência apenas vale ao serviço do amor."

Se a história nos ensina algo, que seja, de facto, em prol da construção da Paz. Saibamos usar esta capacidade para melhorar as nossas competências de comunicação, no sentido de encontrar soluções para o conflito.

20 maio 2011

As Palavras

«Há palavras que são setas que nos trespassam, há palavras que são sementes que se lançam e se acolhem esperando pelo fruto. No ar paira sempre uma pergunta: que fazer deste dia? E tudo pode depender de um secreto dom, do impulso e da motivação suscitados pelas palavras que recebemos.»

Pe. jesuíta Vasco Pinto Magalhães

04 fevereiro 2011

Mediação de Conflitos em Contexto Escolar (Curso de Especialização) 2011

Mediação de Conflitos em Contexto Escolar

(Curso de Especialização)

5ª Edição / Março-Maio de 2011

APRESENTAÇÃO:

A todos que frequentem este Curso pretende-se oferecer uma base de reflexão sobre a forma como a Mediação, a Educação e a Escola se cruzam, focando as possibilidades de intervenção pragmáticas e transformadoras.
Tendo por objecto de estudo e de trabalho os diversos conflitos que se desenrolam na escola, importa essencialmente formar os profissionais com funções educativas nesta nova área da mediação. O mediador é um artífice da (re)construção pacífica e positiva das ligações interpessoais. Nessas habilidades aplicativas, manifestas no método, no processo, nos valores e nos princípios da mediação reside toda a confiança do potencial transformador da actuação do mediador institucional ou mediador cidadão, do mediador formal ou mediador informal e ainda do mediador público ou mediador privado.

Contando já com quatro edições, esta formação avançada aposta numa estrutura inovadora, sendo composto por duas partes, complementares e simultâneas: a primeira parte corresponde a um programa de formação teórico-prática e a segunda parte compreende um programa de seminários de aprofundamento dinamizados por especialistas, nacionais e estrangeiros, na investigação e na intervenção em mediação, como: concepção e avaliação de programas de intervenção socioeducativa e planos de convivência ao nível dos vários níveis de ensino e contextos escolares. Acresce que os trabalhos a realizar neste percurso formativo visam promover uma introdução orientada de dispositivos de mediação no contexto educativo.



COORDENAÇÃO:
Prof. Mestre Elisabete Pinto da Costa
Diretora do Instituto de Mediação da ULP

OBJECTIVOS:

  • Reconhecer a mediação na escola como um instrumento de transformação dos conflitos;
  • Perceber a mediação como estratégia de intervenção precoce sobre fenómenos de conflitualidade, de incivilidade e de violência;
  • Enquadrar a mediação na formação pessoal e social no domínio da resolução de problemas e da educação para os valores;
  • Motivar para a vertente transdisciplinar da gestão e mediação dos conflitos;
  • Articular os vários tipos de mediação para as crianças e jovens: a mediação escolar, a mediação Socioeducativa, a mediação juvenil, a mediação familiar, a mediação comunitária;
  • Desenvolver competências básicas necessárias à gestão e mediação de conflitos;
  • Aprender técnicas para mediar conflitos e saber intervir como mediador;
  • Adquirir conhecimentos sobre a implementação e funcionamento de programas de mediação escolar e planos de convivência.


DESTINATÁRIOS:
Professores dos Ensinos Básico e Secundário, Professores de Educação Especial, Professores de Formação Profissional e Professores do Ensino Recorrente de Adultos, Educadores, Psicólogos, Psicopedagogos, Sociólogos, Assistentes Sociais, Animadores Sociais e Culturais, Mediadores, Técnicos de Acção Educativa, e ainda outros Profissionais interessados no tema.


DOCENTES E ORIENTADORES DE SEMINÁRIOS:

  • Prof. Doutora Maria das Dores Formosinho - docente

Professora Catedrática da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra; Coordenadora do Departamento de Psicologia e do Curso de Psicopedagogia Clínica da ULP.

  • Prof. Doutor João Amado - docente

Professor Associado da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra; Autor de várias obras sobre a violência na escola e responsável por inúmeras acções de formação sobre a indisciplina e violência na escola.

  • Prof. Doutor Juan Carlos Torrego - seminário

Professor Titular do Departamento de Didáctica da Universidade de Alcalá; Director do Curso de Terceiro ciclo universitário em “Mediação e resolução de conflitos em instituições educativas”.

  • Professora Doutora Ana Maria Silva - seminário

Professora Auxiliar da Universidade do Minho; Coordenadora do Mestrado em Mediação Educacional e Supervisão na Educação e Investigadora do Centro de Investigação em Educação da UM.

  • Mestre Elisabete Pinto da Costa - docente

Docente Universitária; Mediadora; Responsável pela área da mediação do “Espaço Convivência” ANP-UL; Orientadora e Supervisora de estágios em mediação; Vice-Presidente do Conselho de Ética e Deontologia da Associação de Mediadores de Conflitos (AMC).

  • Mestre Renata Teles - docente

Docente Universitária; Psicóloga; Pós-graduada em Relação de ajuda; Curso de Especialização em Mediação Escolar na ULP. Dr. Bruno Caldeira - seminário
Psicólogo; Mediador; Formador, Orientador e Supervisor de estágios em mediação; Presidente da Associação de Mediadores de Conflitos (AMC).

  • Mestre Susana Castela- seminário

Técnica de Reinserção Social da Direcção Geral de Reinserção Social (DGRS); Mestre em Psicologia Clínica; Curso de Formação de Mediadores em Contexto Penal; Responsável pela concepção, formação, acompanhamento e avaliação do Programa de Mediação e Reparação em vigor na DGRS.

  • Dr. Bruno Caldeira - seminário

Psicólogo, Mediador, Formador, Orientador e Supervisor de estágios em mediação, Membro da Associação de Mediadores de Conflitos (AMC).

  • Eng. Fernando Rosinha - seminário

Mestre de Conferências do Conservatório Nacional das Artes e Profissões (CNAM) em Paris, Mediador de conflitos, especialidade em mediação familiar e escolar.

  • Dr. José Paulo dos Santos - docente

Professor de Português e Francês do Ensino Básico e Secundário; Curso de Especialização em Mediação Escolar na ULP; Treino em Comunicação Não-violenta.

  • Dr. Albert Sabat- seminário

Coordenador do Programa de Mediação Nacional da Fondation d´Auteuil, na França; mediador e formador em mediação escolar.

PLANO DE ESTUDOS


Módulo I
Problemas de convivência na escola: conflito, indisciplina e violência na escola
(Analisar os problemas de convivência escolar e conhecer propostas de intervenção; Relacionar a convivência com a disciplina e estudar os conflitos).
Módulo II
Paradigmas de resolução de conflitos
(Relacionar modelo impositivo - modelo cooperativo; Analisar as propostas de gestão e resolução de conflitos, com enfoque na negociação integrativa).


Módulo III
A mediação
(Conhecer a esfera da mediação, os modelos de mediação e os princípios, características, objectivos e limites; Entender a perspectiva cidadã e educativa da mediação).


Módulo IV
A mediação em contexto educativo
(Identificar os objectivos específicos da mediação escolar e as especificidades da mediação no ensino básico e secundário; Entender a utilidade e as vantagens da mediação para a escola na resolução e transformação dos conflitos interpessoais; Reconhecer a mediação em contexto educativo como um processo de intervenção).


Módulo V
O mediador de conflitos

(Saber ser mediador: as competências e os princípios de actuação O mediador de conflitos nos diversos contextos educativos).

Módulo VI
Técnicas, ferramentas e fases do processo de mediação

(Identificar e praticar o processo ~, as estratégias e as ferramentas de mediação ; Treinar a comunicação na mediação e a comunicação não-violenta).

Módulo VII
A Escola, a família e a comunidade
(Analisar os desafios colocados pela interferência entre os contextos familiar, comunitário e escolar; Conhecer outras variantes da mediação: mediação familiar e mediação comunitária).

Módulo VIII
Programas de mediação e planos de convivência
(Conhecer os princípios e critérios que subjazem à implementação e avaliação de programas de mediação escolar e a sua articulação com a organização da escola; reconhecer as implicações e exigências destes programas de mediação escolar, nomeadamente dos programas integrados em planos de convivência).

Módulo IX
A mediação em acção

(Aprofundar a prática da mediação; Desenvolver dispositivos de mediação e examinar os aspectos organizativos de um gabinete de mediação).

SEMINÁRIOS DE APOFUNDAMENTO EM MEDIAÇÃO ESCOLAR:
Seminário I:
Construção de dispositivos de Mediação Socioeducativa.
Seminário II:
A mediação como inovação educativa e os programas de formação de mediação para crianças e jovens.
Seminário III: Mediação familiar e comunitária.
Seminário IV:
Planos integrados de convivência na escola.
Seminário V:
A mediação juvenil no âmbito da Lei Tutelar Educativa.

METODOLOGIA:
Expositiva e participativa, com análise de casos, brainstorming, visionamento de filmes e role-play.

Nº DE PARTICIPANTES: 25

AVALIAÇÃO:
Factores de avaliação: assiduidade/pontualidade; qualidade de participação no contexto dos objectivos / efeitos a produzir, qualidade do trabalho final da formação teórico-prática e do relatório final dos seminários.

CREDITAÇÃO:
Curso de Especialização em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar (70h) - 2,8 Créditos, Registo nº CCPFC/ACC-54504/08.
  • Curso de Seminários de Aprofundamento em Mediação Escolar (20h) - 5 ECTS


DURAÇÃO:
90 horas (70h formação teórico-prática e 20h de seminários).

CALENDÁRIO E HORÁRIO:
Sessão de abertura – sexta-feira, 18 de março, das 18h30 às 20h30.
Curso: sábados, das 9h00 às 18h00 (de 19 de março a 29 de maio).
Seminários de Aprofundamento: 4 sextas-feiras, das 18h00 às 22h00

CONDIÇÕES DE ACESSO:
Licenciatura ou equivalente/ponderação de outros níveis académicos e qualificações profissionais, sujeitos a apreciação curricular.

LOCAL:
Universidade Lusófona do Porto, Rua Augusto Rosa, nº 24, Porto.

INSCRIÇÃO

De 2 de Janeiro até 2 de Março de 2011

A inscrição é realizada pela entrega/envio à secretaria de pós-graduações da ULP dos seguintes documentos: formulário de inscrição, fc de Cartão do Cidadão ou BI e NIF), uma fotografia, Curriculum Vitae.

Nº limitado de inscrições (25).

INFORMAÇÕES:
Direção de Marketing e Comunicação
Tel.: 22 207 32 32/30
E-mail: informacoes@ulp.ptEste endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar


Secretaria de Pós- graduações
Tel. 22 207 3230
e-mail: pg.porto@ulp.pt

12 outubro 2010

AS COISAS INSIGNIFICANTES

Hoje, alguém me escrevia num mail: "Já estive várias vezes no Blog, mas não encontrei que dizer. Tudo me parece insignificante..." Talvez continuemos a imaginar que a nossa vida tem de ser feita de grandes coisas, coisas sonantes que toda a gente vê e aplaude. Esquecemos que a maior parte dos nossos dias decorre de uma forma tão silênciosa e imperceptível, que não faz barulho. Como a folha que cai da árvore. Ninguém repara, ninguém a ouve...alguns vêem-na, mas é só mais uma folha. Pois é, mas essa folha, unida a tantas outras vai fecundar a terra para que, chegando a Primavera, a grande árvore renasça novamente cheia de flores e pronta a dar fruto. Os nossos pequeninos actos do quotidiano têm a grandeza das estrelas. É só olhar para eles e amá-los, descobrindo a sua beleza e o seu valor.

08 março 2010

Curso de Especialização em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar 2010

Curso de Especialização
em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar
2010

4ª Edição / Março-Maio de 2010

APRESENTAÇÃO:

A todos que frequentem este Curso pretende-se oferecer uma base de reflexão e verificação sobre a forma como a mediação aparece ligada à Educação assim como à Escola, em particular, indicando-se possibilidades de intervenção pragmáticas e transformadoras e banindo quaisquer mitos de soluções mágicas.
Tendo por objecto de estudo e de trabalho os diversos conflitos que se desenrolam na escola, importa essencialmente formar o mediador, figura central da mediação.

COORDENAÇÃO:
Prof. Mestre Elisabete Pinto da Costa
Diretora do Instituto de Mediação da ULP

OBJECTIVOS:

  • Reconhecer a mediação na escola como um instrumento transformação dos conflitos;
  • Perceber a mediação como estratégia de intervenção precoce sobre fenómenos de conflitualidade, de incivilidade e de violência;
  • Enquadrar a mediação na formação pessoal no domínio da resolução de problemas e da educação para os valores;
  • Motivar para a vertente transdisciplinar da gestão e mediação dos conflitos;
  • Desenvolver competências básicas necessárias à gestão e mediação de conflitos;
  • Aprender técnicas para mediar conflitos e saber intervir como mediador;
  • Adquirir conhecimentos sobre a implementação e funcionamento de programas de mediação escolar e planos de convivência.


DESTINATÁRIOS:

Professores dos Ensinos Básico e Secundário, Professores de Educação Especial, Professores de Formação Profissional e Professores do Ensino Recorrente de Adultos, Educadores, Psicólogos, Psicopedagogos, Sociólogos, Assistentes Sociais, Animadores Sociais e Culturais, Mediadores, Técnicos de Acção Educativa, e ainda outros Profissionais interessados no tema.

DURAÇÃO:
90 horas (70h formação teórico-prática e 20h de seminários).

CALENDÁRIO E HORÁRIO:
Curso: sábados, das 9h00 às 18h00 (de 19 de Março a 29 de Maio).
Seminários de Aprofundamento: sextas-feiras, das 18h00 às 22h00 (09 de Abril, 23 de Abril, 14 de Maio, 21 de Maio e 28 de Maio).

LOCAL:
Universidade Lusófona do Porto, Rua Augusto Rosa, nº 24, Porto.


Toda a informação necessária aqui,

na página da Universidade Lusófona do Porto.


29 outubro 2008

O que nós queremos para os nossos filhos

Num sistema educativo em completa transformação, em mudanças profundas, onde a instabilidade e a agitação deambulam pelas salas e corredores das escolas, os pais, os professores, os órgãos de gestão, as várias instituições e o governo devem procurar a causa principal, os objectivos fundamentais, que nos devem unir: os nossos filhos!

E há mensagens que todos devemos ler, ver, ouvir, pensar e debater.

Neste vídeo, intitulado ‘Creating Great Schools — Together’ (Criar escolas maravilhosas - Juntos), uma mãe, Heidi Hass Gable, com palavras simples e com imensa empatia, chama-nos a atenção para as coisas mais importantes da vida, e deixa-nos uma questão no ar: "O que é que TU farás hoje?"

E é nesta altura que professores, pais, órgãos de gestão e instituições educativas devem envidar todos os esforços, porque "Os nossos filhos merecem-no! Não merecem menos do que isso!"



(A legendagem foi realizada com o Overstream It!)

19 julho 2008

E o dia amanheceu em paz...

VaLsInHa

Um dia ele chegou tão diferente
Do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito muito mais quente
Do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto
Quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto
Pra seu grande espanto
Convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita
Como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado
Cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços
Como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça
Foram para a praça
E começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança
Que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade
Que toda a cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos
Como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz



Chico Buarque de Hollanda e Vinícius de Moraes

29 maio 2008

Mediação de Conflitos: encontro com Marinés Suares

Vai decorrer, no Fórum Cultural de Ermesinde, no próximo dia 2 de Junho 2008, pelas 14.30 horas, uma palestra sobre Mediação de Conflitos, com a presença de Marinés Suares.
Não perca a oportunidade de se encontrar com uma das mais conceituadas e importantes personalidades da actualidade nesta matéria.

A organização do evento está a cargo da Câmara Municipal de Valongo (Agência para a Vida Local e do Grupo de Trabalho


Faça a sua reserva através do correio electrónico
avl@cmvalongo.net
ou através do fax: 22 973 15 85


No final da Sessão os/as participantes terão direito
a um Certificado de Presença.


11 março 2008

Falamos depois...

Muitas vezes, perante um conflito, o casal tenta comunicar, persistindo na atitude ou no tom de acusação, de raiva, de intimidação, culpabilização e de desresponsabilização...
O tom exalta-se e as palavras soltam-se com uma facilidade terrível!
Esta comportamento impulsivo vive e está latente em nós. Temos muita dificuldade em coabitar com o conflito e reagimos inconscientemente.

"Si je réprime ce qu'il faudrait que j'exprime, je déprime!" Esta belíssima frase proferida por Thomas D'Ansembourg, neste excerto do vídeo abaixo, retrata, de facto, o perigo da contenção dos nossos sentimentos e necessidades: "se reprimir o que deveria exprimir, deprimo". Porém, se exprimo os meus sentimentos e necessidades da pior forma, também corro o risco de magoar e de sofrer...

É fundamental encontrarmos, então, o espaço de REENCONTRO connosco próprios, antes de dizer umas "boas verdades" ao(à) nosso(a) companheiro ou companheira. Precisamos de mergulhar nos "lençóis freáticos" das nossas necessidades e dos nossos sentimentos, identificá-los e exprimi-los correctamente, com um vocabulário claro e bem explícito...

Ainda temos muito para aprender! É difícil aprender um novo idioma, a "língua dos sentimentos e das necessidades"? É, sim, mas vale mesmo a pena...

Paulo Gonzo, na sua canção "Falamos depois..." propõe uma solução para a resolução do conflito. O que pensa desta estratégia?


Que outras formas alternativas encaro
para a resolução do conflito
dentro do casal, estando eu nele envolvido?


04 março 2008

Transumâncias

Aos 15 anos de idade, descobri que desejava ser professor de línguas. Frequentei o 9º ano de escolaridade, já na recém-criada Escola Secundária de Sever do Vouga. Estávamos no ano lectivo de 1984/85. A minha decisão obrigou-me a deixar a terra que me viu nascer para me deslocar para a cidade de Aveiro, ficando alojado num quarto alugado. Ingressei, então, na famosa e prestigiada Escola Secundária José Estêvão, onde concluí o Ensino Secundário, no curso de Humanidades.

Seguiram-se cinco anos de licenciatura em Ensino de Português e Francês, na Universidade daquela mesma cidade, com estágio integrado, efectuado na Escola Secundária Adolfo Portela, em Águeda.

Este ano probatório de "ainda-aluno-e-já-professor", em 1992/93, veio, finalmente, confirmar as minhas opções e o meu trajecto de vida pessoal e profissional.

Ingressei orgulhosamente na carreira docente! Senti uma enorme felicidade, não só por ter atingido uma das etapas que me tinha proposto atingir, mas, sobretudo, por poder realizar o sonho de ser Professor!

Ainda me lembro da minha primeira clássica pasta de fole em cabedal; ainda me lembro do meu Golf em segunda mão; ainda me lembro dos nervosos primeiros instantes e os que lhes seguiram, diante dos "meus primeiros alunos"! Confiaram-me a minha "primeira orquestra" desafinada! Magnífico Allegro!

Embora nunca me tivessem falado sobre o manual do professor transumante, rapidamente tomei consciência das dificuldades inerentes aos longos e penosos trajectos a percorrer para me deslocar para junto dos meus "rebanhos"... Comecei em Sever do Vouga, passei por Paços de Ferreira, Castelo de Paiva, Aveiro, Arouca e encontro-me, actualmente, em Vale de Cambra...

Nesta permanente vida nómada, anos e anos a fio, sinto-me um guardador de rebanhos, um peregrino, um viajante. Nos trajectos com mais de 100 quilómetros diários, de ida e volta, os meus pensamento vagueiam ao sabor da natureza por entre montes e vales...


Severino Pallaruelo Campo, um professor de História e Geografia espanhol, autor do livro Pirineos, Tristes Montes, ilustra este sentimento no contacto com as terras e as gentes: «O homem e os seus rebanhos caminham ao ritmo dos ciclos da natureza; não procuram modificar o clima nem em conseguir elevados níveis de rentabilidade através da aquisição de complexas e dispendiosas tecnologias; modelam a paisagem com técnicas simples e efectivas, adaptam-se ao curso sucessivo das estações. Vivem em harmonia com o meio ambiente e não têm necessidade de violentar a natureza para sobreviver; basta-lhes acariciá-la, e submeter-se ao ritmo que ela própria lhes impõe.»

fonte: http://fotografiadodia.blogspot.com/2007/11/janela-aberta.html


Apesar das longas e por vezes dolorosas distâncias, ia, vinha e permanecia nas escolas por onde passei com enorme satisfação e motivação. Sentia a alegria de ensinar e procurava transmitir e promover o prazer de aprender...

Soube inovar e desenvolver valiosos projectos nas escolas, tanto junto dos meus colegas como na sala de aula com os meus alunos.

Lutei por melhores condições de trabalho, elaborando candidaturas para financiamento para projectos e criando novos espaços de criação, partilha e colaboração, onde professores e alunos pudessem ter acesso às novas tecnologias para melhorar o processo de ensino e aprendizagem.

Lancei desafios a mim próprio e à comunidade escolar, orientei centenas de professores em cursos, seminários, círculos de estudos, oficinas de formação... Estabeleci parcerias com empresas, instituições e individualidades, no sentido de trazer à escola novas dinâmicas e formas inovadoras de participação da comunidade-escola.

Fui sentindo um gradual crescimento da motivação, da satisfação e do bem-estar na escola, tanto de professores, dos pais e encarregados de educação como dos alunos. Senti-me cada vez mais responsável e comprometido com as lideranças que ia assumindo, exigindo de mim um esforço cada vez mais exigente e árduo. Acreditei nos valores e nos princípios mais humanos; nas necessidades e interesses dos que me rodeavam; perturbei com ousadia, algumas vezes, algum status quo, padrões e normas que inviabilizavam o avanço, o progresso necessários para a criação de uma nova escola voltada para o sucesso, a inovação e o empreendedorismo.

Criei clubes de jornalismo; assumi a edição e editoriais de jornais escolares com equipas de alunos e professores; fui colaborador e promotor de publicações, eventos, projectos múltiplos.

Dominado constantemente por fortes crenças optimistas, com objectivos morais sólidos, compreendi, desde cedo, que o processo de mudança era urgente, pelo que procurei construir relações com os órgãos de gestão, funcionários, pais e encarregados de educação e alunos; acreditei que o conhecimento só poderia ser construído em conjunto, na interacção, na partilha e na colaboração. Muitas vezes, senti a necessidade de perturbar o sistema em que me inseria, convicto que as minhas aspirações produziriam efeitos positivos nas acções e nas relações interpessoais. Procurei ser coerente e apelei aos outros o mesmo. Não suporto a incongruência!

Hoje, vejo os meus colegas, as escolas a recuar naquele processo que fomos construindo esforçadamente! Rostos esbatidos, figuras derreadas pelo peso insustentável da coerção, do desprezo e do desrespeito... O pessimismo abateu-se sobre as escolas, a Educação em Portugal.
As vozes rasgam lamentos e negras profecias!

Não foi esta a Educação que sonhei! Quando se esquece e despreza os valores e os princípios humanos mais elevados não é onde desejo ESTAR! Não é neste Sistema de Ensino que desejo permanecer! Não quero ser o responsável pela desumanização e pelo atropelamento da dignidade, dos afectos, do amor, do riso, da alegria, da tolerância, do reconhecimento, da justiça, necessidades e desejos das nossas crianças, jovens, pais e colegas...

O optimismo não anda de mão dada com os que não sabem sonhar e que, pior ainda, tentam matar os sonhos dos outros.

A Escola é o primeiro e o último lugar onde mais desejo estar para exercer com alegria uma das mais belas profissões do mundo: PROFESSOR

Passo a aplicar a linguagem da Comunicação Não violenta:
Perante a agitação, o conflito (observação), sinto-me frustrado, triste e indignado (sentimento), porque preciso de encontrar paz, serenidade e bem-estar nas nossas escolas (necessidade), pelo que formulo um apelo àqueles que podem devolver à Educação, aos Professores, aos Alunos e Pais, à sociedade Portuguesa esta harmonia tão necessária às actuais e futuras gerações: será possível deixar-nos fazer o que melhor sabemos, ou seja, aprender e ensinar? (pedido)


O pessimismo é uma profecia que se cumpre.
João Lobo Antunes, programa Prós e Contras, RTP1, 03 de Março 2008



22 janeiro 2008

Apelo à leitura: read it!

Há imensas formas criativas de apelar à importância da leitura. O Plano Nacional de Leitura ainda não tinha pensado nesta paródia original e divertida de promover este bom hábito para a construção do conhecimento... Os livros são conhecimento e conhecimento é poder!

Read it!

You're strapped for cash but you don't have to fear.
Library card will make them books appear.
The vocab in your mind make the words really clear.
So read it, just read it.

You better run, you better choose what you like.
When you read imagination comes to life.
Judging by a cover means you lose insight.
So read it--but you wanna be bad!

Just read it, read it, read it, read it.
Ignorance is eas'ly treated.
Out in the sunshine, in the moonlight.
Books equal knowledge and knowledge is might.
Just read it, read it.
Just read it, read it.
Just read it, read it.
Just read it, read it.

Almost time for Simpsons better read while you can.
Afraid of reading books, you ain't no macho man.
Judy Blume or Harry Potter defy the ban.
So read it, just read it.

You have to show them that you're really not scared.
You'll read a Stephen King book on a double dare.
Amazon, Half-dot-com or find a book fair.
So read it--but you wanna be bad!

Just read it, read it, read it, read it.
Ignorance can be defeated.
Out in the sunshine in the moonlight.
Books equal knowledge and knowledge is might.

Just read it, read it, read it, read it.
Ignorance is eas'ly treated.
Out in the sunshine in the moonlight.
Books equal knowledge and knowledge is might.

Just read it, read it, read it, read it.
Ignorance can be defeated.
Out in the sunshine in the moonlight.
Books equal knowledge and knowledge is might.
Just read it, read it.
Read it, read it, read it.

Just read it, read it, read it, read it.
Ignorance is eas'ly treated.
Out in the sunshine in the moonlight.
Books equal knowledge and knowledge is might.

Just read it, read it, read it, read it.
Ignorance can be defeated.
Out in the sunshine in the moonlight.
Books equal knowledge and knowledge is might.

Just beat it, beat it, beat it, beat it.
Ignorance is eas'ly treated.
Just read it, read it.
read it, read it, read it.

Just read it, read it, read it, read it.
Ignorance can be defeated.
Out in the sunshine in the moonlight.
Books equal knowledge and knowledge is might.

Just read it, read it, read it, read it
Ignorance is eas'ly treated
Out in the sunshine in the moonlight
Books equal knowledge and knowledge is might

Just read it, read it, read it, read it
Ignorance can be defeated
Out in the sunshine in the moonlight
Books equal knowledge and knowledge is might

04 janeiro 2008

4ª Conferência Mundial sobre Violência nas Escolas e as Políticas Públicas

23/25 . June. 2008

LISBON. Portugal

Fundação Calouste Gulbenkian

http://www.gulbenkian.pt

O Instituto de Apoio à Criança em cooperação com a Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa vai organizar em Lisboa no dias 23, 24 e 25 de Junho de 2008 a “4ª Conferência Mundial sobre Violência nas Escolas e as Políticas Públicas".

Esta Conferência Internacional, que decorrerá na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, está integrada no plano de actividades do Observatório Europeu de Violência na Escola (www.ijvs.org), bem como de outros parceiros de outros países.

O Observatório Europeu organizou com êxito a 1ª conferência em Paris (2001), a 2ª conferência na cidade do Québec (2003) e a 3ª conferência em Bordéus (2006).

Estas Conferências Internacionais têm mobilizado uma ampla rede internacional de investigadores de diversas disciplinas científicas e instituições relacionadas com o estudo e projectos de intervenção da violência no meio escolar.

O título e tópico central da conferência será “Violência nas Escolas: a Violência em Contexto?

Toda a informação aqui

12 dezembro 2007

Especialização em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar


2ª Edição

A Universidade Lusófona do Porto acaba de lançar a 2ª Edição do Curso de Especialização em Mediação de Conflitos em Contexto Escolar, coordenado pela Prof. Elisabete Pinto da Costa, Directora do Instituto de Mediação da ULP.

Data das Inscrições: até ao dia 1 de Fevereiro/2008.

Calendário do curso: 12 de Fevereiro a 13 de Março/2008.

Duração: 60 horas


Nº de participantes: 25


Cidadania e Segurança


A Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) publicou (6 Dezembro 2007), na sua página da Internet, o novo módulo curricular Cidadania e Segurança a aplicar, com carácter de obrigatoriedade, no 5.º ano de escolaridade.
Este novo módulo deve ser trabalhado em cinco aulas de 90 minutos, visando assegurar a todas as crianças, num determinado momento do seu percurso escolar, o contacto com as temáticas básicas da segurança e da não violência.

"Tendo como referência os direitos fundamentais e os recíprocos deveres que lhes são inerentes, o módulo encontra-se organizado em torno de três temas:
  • ”Viver com os outros”,
  • “As situações de conflito e a violência"
  • “Comportamentos específicos de segurança”.
Constituem objectivos do módulo:
  • promover a compreensão da importância do valor da relação com os outros e da construção de regras de convivência na escola e na sociedade;
  • aumentar a capacidade para a resolução de situações de conflito de forma não violenta;
  • promover competências para agir adequadamente face à agressão;
  • desenvolver a capacidade de identificação de comportamentos de risco e incentivar atitudes de prevenção;
  • desenvolver uma cultura de segurança e capacitar para a auto-protecção.

13 novembro 2007

O que é um BOM PROFESSOR?

Caros leitores,

há muito que não escrevo neste blogue, apesar das várias solicitações para tal. Para muitos de nós, este espaço veio criar momento de empatia, de bem-estar, não deixando para trás momentos de reflexão importantes para as nossas vidas...
Tenho imensos "textos escritos na minha mente" e desejaria encontrar o momento certo para os colocar neste lugar. São vivências, observações, sentimentos e necessidades que se vão acumulando e precisam de ser partilhadas.
Hoje, por imperiosa necessidade, gostaria de vos falar de um professor. São muitos os motivos que me impelem a falar dele, mas que não irei aqui explorar, tendo em conta que servirá apenas de leitmotiv para a questão que levanto no título: o que é um bom professor, afinal?

Já ouviram falar em Ron Clark, o famoso "America's Educator"? Talvez não... Tive o privilégio de assistir pessoalmente, em Londres, há poucas semanas, ao seu próprio relato como professor e não deixei de pensar em todo o meu percurso, em todos os meus alunos, em todas as relações que estabeleci pelas várias escolas por que passei...
Ora, o que faz dele um professor tão especial, único? Adorado por uns, polémico ou louco para outros, a verdade é que Ron deixa um rasto de energia, de alegria e entusiasmo, celebrando uma das mais belas profissões do mundo (se não a mais bela!).

Hoje, Ron, é o professor mais famoso dos Estados Unidos, depois de ter passado pela emissão da Oprah, possuindo a sua própria academia e publicações, nomeadamente, o best-seller "The Essential 55", e de ter sido realizado um filme sobre a sua vida, The Ron Clark Story (2006).



Por sentir que nas nossas escolas existe uma certa desmotivação, um desalento e alguma impavidez perante as várias medidas lançadas para o sistema educativo, dedico este momento a todos os bons professores que, na sua maravilhosa missão, vão semeando generosas pepitas de "ser", de "estar", de "saber"...

Enquanto acreditarmos nas nossas crianças, nos nossos jovens, tal como o Ron, cada um ao seu estilo, não devemos desistir, porque eles precisam de nós! Precisam do nosso respeito, de bons modelos, de boas referências, de bons princípios, de bons guias para crescerem e se tornarem cidadãos responsáveis, confiantes e optimistas, bem preparados para os desafios da convivência social, do trabalho, da vida...

Também, em Portugal, os professores precisam de reconhecimento, de valorização pelo trabalho que desenvolvem em prol da Educação. Cabe a nós a capacidade de demonstrar que o futuro de um país assenta na obra, na missão dos educadores e dos professores e das famílias. Um país que não acarinhe, que não respeite, que não dignifique o papel daqueles profissionais, e os co-responsáveis pais e encarregados de educação, está a hipotecar gerações...

Ao longo deste texto, tenho usado e abusado das várias formas do adjectivo "bom". O desafio que aqui deixo é:
SENTE-SE UM BOM PROFESSOR?
O QUE FAZ DE SI UM PROFESSOR?

Procure, conscientemente, identificar e enumerar
todas as qualidades que fazem de si um "bom professor"...
(se eu não me sentir um bom professor, como poderão os outros sentir que o sou?)

Já agora, bom trabalho, na escola... e em casa!

24 julho 2007

Encosta-te a mim...


Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim


Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim


Jorge Palma

Cada um de nós compõe a sua história...

Oiça atentamente esta magnífica interpretação da canção "Tocando em frente" pela jovem Gabriela Rocha.

"Cada um de nós compõe a sua história!
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz..."




08 julho 2007

Live Earth - uma mensagem!


A canção do concerto LIVE EARTH
First love yourself, then you can love someone else


Letra da canção Hey You, interpretada por Madonna:

05 julho 2007

O Outro Lado - Música e Poesia de Pedro Branco

É com enorme prazer e orgulho que partilho com os visitantes deste blogue e com os meus amigos este abraço ao amigo Pedro Branco.
Aos 40 anos, o Pedro Branco decidiu oferecer aos seus amigos um momento intimista, um momento de interioridade, de mergulho em nós próprios, através do seu canto, da sua poesia e de sons...
Saiba um pouco mais sobre este espectáculo aqui.

É também "Das Palavras Que Nos Unem", o blogue de Pedro Branco, que alimentamos a nossa alma, viajando através de sentimentos, emoções, desabafos, olhares e sensações.

Convido os amigos a lerem e a sentirem o gosto de se encontrarem n' O Outro Lado...

Um forte ABRAÇO amigo, Pedro!


Não preciso de mais nada hoje.


Tenho as tuas palavras.


Para colorir um milhão de vezes...


o que eu quiser!


Poema Nudez, de Pedro Branco, retirado
daqui


03 julho 2007

O Início de uma nova vida... O Segredo para si!

Já ouviu falar no Poder da Atracção?
Já pensou que há forças, energias no Universo que podem conjugar-se com a sua energia interior, os seus pensamentos? Já lhe aconteceu NÃO desejar algo e, de um momento para o outro, isso que NÃO queria acabou afinal por lhe acontecer?!

Agora, pense positivamente: pense no que REALMENTE quer ou deseja! Formule constantemente desejos positivos ao Universo; diga apenas aquilo que quer e NUNCA o que não quer...

Veja o filme The Secret e prepare-se para olhar a vida de outra forma, mais positiva, alcançando assim os seus maiores desejos! Experimente!

Dedico-lhe este breve filme para se inspirar... "I'm grateful to be me!"


Deseja saber mais?! Vá ao sítio do filme: The Secret

26 junho 2007

O teatro da violência

No Domingo, 24 de Junho passado, no canal M6 da televisão francesa, tive a oportunidade de assistir a uma emissão (66 Minutes) que me prendeu os sentidos: a formação de jovens professores estagiários sobre a vida na sala de aula, sobretudo, quando o conflito e a violência irrompem.
No próximo ano, estes professores inexperientes serão colocados em escolas, onde poderão enfrentar situações reais de confronto com alunos.
Inspirada na realidade, esta formação, dinamizada por um grupo de actores de teatro, propõe a dramatização de várias cenas de conflito, onde o professor não só deve saber gerir o normal desenvolvimento da aula, como situações imprevistas de agressão verbal ou física, levadas a cabo pelos alunos.
Com a ajuda destes actores e de um dinamizador, os jovens professores assistem a representações que vão desde a chegada de um aluno à sala, quando a aula já decorre, e que chama a si toda a atenção; até a uma situação extrema na qual o professor leva um murro de um aluno.
Numa segunda fase, os jovens estagiários passam a protagonizar a aula e devem mostrar como reagem, como resolvem o conflito, nesta ou naquela situação.
Através desta estratégia, é possível recriar as mais variadas situações de conflito e violência na sala de aula e na sala de professores, de modo a ajudar os professores a analisar, reflectir, debater sobre assuntos que, cada vez mais, marcam, infelizmente, a actualidade mediática.
Dado que o vídeo da referida emissão ainda não se encontra disponível, deixo abaixo uma peça de um telejornal do canal TF1, que ilustra perfeitamente a iniciativa.
Fica aqui também a página na Internet do grupo de teatro interactivo OXO, de Bordéus.


23 junho 2007

Da Guerra... à Paz

Como dialogar com o nosso marido, a nossa esposa, o nosso companheiro, quando rebenta o conflito?

As discussões aumentam, as acusações mútuas avolumam-se (" - tu é que..."; "- és sempre a mesma coisa!"; "- não me ouves..."; "- não me mandes calar!"...), os insultos explodem, os amuos tornam-se frequentes, apoderam-se de nós a raiva, o ódio, a insegurança, o medo...

Estes estados de espírito são comuns a muitos casais. Certamente nos revemos neste género de diálogos, nestes comportamentos e pensamentos agressivos e violentos. São os berros, os gritos ou, então, os silêncios igualmente devastadores e corrosivos.

Thomas D'Ansembourg, na sua conferência-espectáculo, registada em DVD, intitulado "Guerre et Paix Dans Le Couple", baseada na obra "Cessez d'Être Gentil, Soyez Vrai!" (traduzido para português pelas Edições Ésquilo como "Seja Verdadeiro"), propõe-nos assistir a cenas conjugais em palco. Com a cumplicidade e talento da atriz Dominique Lahaut, D'Ansembourg demonstra-nos como é possível passarmos de um estádio de conflito para um estádio de diálogo interno com os nossos sentimentos, as nossas necessidades, medos, frustrações, de modo a sermos capazes de ir ao encontro do outro, procurando entender as suas necessidades e sentimentos.

As ferramentas, os recursos existem em nós. Apenas precisamos de aprender a mobilizá-los neste clima de tensão e de conflito.

A Comunicação Não Violenta (CNV), esta "linguagem do coração", permite-nos descer ao fundo do nosso "poço", encontrar os "lençóis freáticos" das necessidades comuns a todo o ser humano para procurar compreender o outro e nós próprios.

Thomas D'Ansembourg

Thomas, qual é o factor principal da separação do casal?
Quando o casal não diz as coisas verdadeiras, já não vive e acaba apenas por "funcionar". Estamos na "logística": ir às compras, levar os miúdos aqui e ali, o trabalho, os afazeres domésticos, etc. As coisas verdadeiras são os valores partilhados e sobretudo a clareza do sentido do reencontro a dois. Isto pressupõe conhecimento e respeito de si próprio, o que exige muita escuta! E a escuta activa e verdadeira, para muitos de nós, pode aprender-se.
(Fonte recolhida e traduzida a partir deste endereço: http://www.info-ardenne.com/ardennes/node/661)

N’ayons pas peur de se connaître soi pour mieux apprendre à aimer l’autre…
Não tenhamos medo de nos conhecermos melhor
para aprender a amar o outro...