O que levamos de nós para os outros
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| Thomas D'Ansembourg e a interioridade cidadã |
Perante os desafios de hoje, a interioridade é cidadã. — Thomas d’Ansembourg
Há dias em que uma contrariedade chega a casa pela nossa voz e acaba pousada sobre quem nos recebe. Uma pergunta simples parece uma provocação; um pedido transforma-se num peso; uma diferença de opinião torna-se uma ofensa. O que transportamos por dentro participa nas nossas relações, mesmo quando ainda não encontrámos palavras para o compreender.
É neste encontro entre a vida interior e a vida partilhada que a frase de Thomas d’Ansembourg ganha profundidade. O autor e formador em Comunicação Não Violenta associa o conhecimento de si à responsabilidade social: compreender as nossas emoções, reconhecer os nossos automatismos e cuidar da maneira como estamos presentes pode transformar a nossa participação no mundo. A interioridade torna-se cidadã porque tem consequências para os outros.
Pensemos num professor que reconhece o seu cansaço antes de humilhar um aluno, num pai que consegue identificar o medo por detrás da vontade de controlar ou em alguém que escuta uma discordância sem a converter numa declaração de guerra. Nesses instantes, o trabalho interior adquire uma expressão concreta: interrompe uma reação que poderia ferir e permite escolher uma resposta mais consciente.
Esta responsabilidade não dispensa o combate às injustiças nem resolve, por si só, os problemas coletivos. Obriga-nos, porém, a interrogar a maneira como participamos nesse combate. Podemos defender o respeito enquanto desprezamos quem discorda? Que qualidade de presença oferecemos às causas que dizemos abraçar?
Conhecer-nos implica também reconhecer o que fazemos chegar aos outros. Há uma dimensão profundamente pública nesse trabalho silencioso: alguém poderá deixar de receber uma ferida que não lhe pertencia.
Fontes: site oficial e apresentação do conceito de “interioridade cidadã” na página do autor.

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