Da Reação à Relação: Quem Apoia Quem Ensina?

Ação de Formação: Comunicação Não Violenta no AEOB

Marshall Rosenberg defendia que as crianças precisam de aprender “como pensar por si próprias, como encontrar sentido no que aprendem e como trabalhar e viver em conjunto”. Este breve excerto, aqui traduzido do inglês, recorda-nos que a relação também faz parte da aprendizagem. E, para que os professores possam cuidar dessa dimensão, precisam igualmente de apoio, escuta e espaço para renovar as suas respostas. [Fonte: citação de Marshall B. Rosenberg reproduzida pela PuddleDancer Press, sua editora, na página Nonviolent Communication Skills and Education.]

Há momentos em que o mais difícil numa sala de aula é encontrar a palavra que permite continuar. Entre o cansaço de quem ensina e a resistência de quem aprende, que espaço existe para uma resposta diferente?

Pede-se muito aos professores: que ensinem, motivem, incluam, previnam conflitos e saibam lidar com dificuldades que ultrapassam os conteúdos das suas disciplinas. Contudo, precisamos de perguntar, com igual seriedade, que apoio lhes oferecemos para enfrentar essa exigência quotidiana. Quem escuta quem passa os dias a procurar ser ouvido?

Uma interrupção persistente, uma recusa, uma palavra que atinge num momento de maior desgaste: por vezes, bastam poucos segundos para que uma aula se transforme num confronto. O professor também sente frustração, também se cansa e também precisa de encontrar condições para responder sem se perder na urgência do momento. Reconhecer esta humanidade é indispensável quando falamos de relações educativas.

É neste contexto que, no próximo dia 18 de novembro, das 14h30 às 17h30, orientarei a formação “Comunicação Não Violenta na Escola: Da Reação à Relação”, no Agrupamento de Escolas de Oliveira do Bairro, na Escola Secundária Oliveira do Bairro. O encontro destina-se a docentes e técnicos especializados e propõe um tempo de reflexão e experimentação a partir dos desafios da vida escolar.

O que podemos alcançar em três horas? A pergunta merece uma resposta honesta. Nenhuma formação breve resolve a complexidade de uma escola. Porém, pode ajudar-nos a reconhecer algo que repetimos sem dar por isso, a olhar de outra maneira para uma situação difícil ou a descobrir uma possibilidade de resposta onde parecia existir apenas confronto.

A Comunicação Não Violenta convida-nos a essa atenção. Como escutar e, ao mesmo tempo, estabelecer limites? Como exercer a autoridade preservando a dignidade de todos? E como reconhecer o que se passa connosco antes de responder ao que o outro faz? São perguntas que levaremos para este encontro, com espaço para as inquietações e a experiência dos participantes.

Apoiar os professores implica oferecer-lhes ferramentas, tempo e oportunidades de partilha. Implica também reconhecer que nenhuma competência individual substitui condições de trabalho adequadas ou uma escola que cuida de quem nela trabalha.

Nestas três horas, procuraremos abrir espaço para outras escolhas, porque, por vezes, a mudança começa quando, diante de uma situação conhecida, descobrimos que ainda não experimentámos todas as respostas.

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AUTORIA: José Paulo Santos
Revista CNV Portugal

 

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